🐓Apresento-lhes “O Galo do Canto Invertido”, cordel de minha autoria, inspirado em uma das mais conhecidas lendas de Piripiri, no Piauí: “O Galo da Apertada Hora”.
Conta a tradição que, nas noites de sexta-feira, uma ave encantada e feroz surgia em um trecho estreito e perigoso de uma antiga estrada, próximo ao Sítio Anajás, para assombrar e atacar os romeiros que por ali passavam.
A partir dessa rica narrativa da cultura popular piauiense, recriei a lenda em versos, dando-lhe uma nova dimensão a partir do meu olhar de cordelista.
A seguir, compartilho algumas das estrofes iniciais do livreto, publicado pela Rouxinol do Rinaré Edições, em Fortaleza-CE, em junho de 2026, com capa de Marcelino Aparecido.
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Certa vez a minha avó
Ao recordar o passado,
Acendeu uma lamparina
Sentando-se do meu lado,
Pigarreou a garganta
Para mais um proseado.
Vovó Adélia postou-se
Em clima de sentinela,
Fazendo o sinal da cruz
Com os olhos na janela,
Suspirou profundamente
E assim foi dizendo ela:
— No Piauí um mistério
Não cansa de circular,
É sobre um Galo Invertido
E nos faz arrepiar,
Quem ouviu jura tremendo
Que é melhor não duvidar!
(.).
Certa vez aconteceu
Uma cena horripilante,
O galo amaldiçoado
Com seu esporão cortante,
Investiu contra os fiéis
Num ataque fulminante.
Foram sete os alvejados
Vindo quatro a falecer,
Três que ficaram feridos
Jamais puderam esquecer
Essa maldição sofrida
Por esse tinhoso ser.
(.).
Quando canta sete vezes
Antes do dia nascer,
A casa muda de dono
Sem ninguém compreender,
Esse destino é selado
Sem ter a quem recorrer.
Não se vence esse maldito
Com bala, faca ou facão,
Sua força é de outro mundo,
Não pertence a este chão,
Só mesmo o poder divino
Evita essa maldição.
Continua…
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