domingo, 30 de novembro de 2025

A SAGA DE BIRO - da rua ao trono

 



Entre versos, contos e lendas, também existe espaço para a doçura cotidiana. Hoje, quem toma conta da cena é Biro — meu gato mimoso, dono de um olhar que desarma qualquer pressa. Um pequeno rei da tranquilidade, lembrando que o afeto também é poesia.

Este texto foi escrito a quatro mãos: eu e Nilza Dias.


Seguem as estrofes iniciais:


No terreiro da lembrança

Há histórias de emoção

Pulsando no coração,

Feitas de dor e esperança.

Por vez, a vida balança

Entre medo e dissabor;

Surge um sopro protetor

Quando a sorte muda o giro,

Foi assim com o nosso Biro

Encontrando, enfim, amor.


Ele já dormiu na rua

Foi filhote abandonado,

Por cachorro ameaçado,

Quase ceifa a vida sua,

É verdade, nua e crua

Daqueles que não têm lar;

Alguém veio lhe salvar

Deu comida, deu carinho,

Depois o deixou sozinho

Na rua a perambular.


Outra vez foi acolhido,

Teve comida e cuidado,

Mas se manteve acuado

No seu cantinho encolhido,

Andando sempre escondido

D’uma dezena de irmãos,

Sentindo ali novas mãos

Que finalmente lhe guia

Para um quadro de alegria,

Pintado a muitas demãos.


(...)


Enfim, encontra outro espaço,

Ele lindo, todo gato,

Tem acolhimento e trato,

Chamego de braço em braço;

Sem demonstrar embaraço

É rei de todos os cantos

Longe dos tempos de prantos

Ronrona em doce magia,

Livre do medo que havia

Descobriu novos encantos.


Em seu reino de alegria

Agora seu novo lar

E, sem se preocupar,

É uma festa todo dia.

Sorrateiro, ele vigia

Caixotes de papelão

Que viram trono ou mansão

Num cenário de ternura.

Entre salto e travessura

Vive a sua diversão.


(...)


Na casa vive Jurema

A sua companheirona,

Mas também é toda dona

E, por vezes, há dilema,

Pois o ciúme é poema

Guardado no coração.

Biro olha a situação

Com muita diplomacia,

Sabe que no dia a dia

Para os dois tem atenção.


Como é bom vê-lo brincando

De pular e de correr,

Se Jurema interromper

Ele reage miando,

Talvez seja reclamando

Atenção do seu tutor

Ou demonstração de amor

Pelo devotado amigo;

Sabe que, se houver perigo,

Nele encontra um protetor.


Segue…



quinta-feira, 30 de outubro de 2025

DIA NACIONAL DO LIVRO



O livro é farol aceso

Nos campos do pensamento,

Semeia luz na jornada,

Põe a vida em movimento;

Além de abrir horizontes,

É do saber alimento.


No livro mora a lição 

Que a leitura nos ensina:

Construir com sapiência

Uma mente cristalina,

Arar, plantar e colher

Fruto que nunca termina.


Livro na mão é memória,

Um bem que o tempo não leva;

Segue adensando o caminho

Do saber que nos eleva

Ao mundo da sapiência —

É luz no meio da treva.


Do campo à sala de aula,

Do matuto até o doutor,

Todo leitor que se entrega

Descobre um novo sabor:

Ler é beber na nascente

Da fonte de um escritor.


O livro abre mil portas,

Ensina, consola e guia;

Em cada verso revela 

Um acorde em poesia.

Celebrar o livro é gesto

De amor e sabedoria.


O vinte e nove de outubro

É dia da afirmação:

O livro é chama que arde

No peito da educação,

Pois faz da palavra acesa

A luz da transformação.


Que o livro siga brilhando

Nos mais diversos setores,

Como ponte criativa

Aos autores e leitores,

E assim plantar liberdade

Entre outros tantos valores.


🔑29 de outubro — Dia Nacional do Livro🔓


O livro é a chave que abre portas para mundos invisíveis.

Em cada página, uma viagem, um encontro, um despertar.

Ler é viver mil vidas num só coração.


— PedrO M.


Editora Ciranda Cultural 

Editora Nova Alexandria

Editora Edicon

sábado, 18 de outubro de 2025

A LENDA DO CURUPIRA




A LENDA DO CURUPIRA


Entre as raízes do imaginário brasileiro, o Curupira surge como uma das figuras mais antigas e emblemáticas do nosso folclore. Guardião das florestas, de pés virados e espírito indomável, ele representa a força da natureza diante da ambição humana.

Neste cordel, trago à cena esse ser lendário que, com astúcia e coragem, protege a mata dos que nela entram sem respeito. Sua presença nos recorda que toda vida tem valor e que a terra, mãe generosa, é um bem sagrado.

Neste ano, o Curupira ganha destaque especial: foi escolhido como mascote oficial da COP 30, a Conferência Mundial sobre o Clima, que acontecerá em novembro, na cidade de Belém do Pará — coração pulsante da Amazônia.

A escolha não poderia ser mais simbólica. O Curupira, defensor das árvores e dos rios, é a voz ancestral que clama por reverência à natureza e por um futuro sustentável. Que sua imagem inspire consciência, união e ação em defesa do planeta, pois a floresta, viva, densa e misteriosa, continua a ecoar seu assobio de alerta.

Seguem alguns versos iniciais:

Nas brenhas da mata densa
Onde a sombra faz morada
Habita um ser mandingueiro
De astúcia comprovada,
Que, ao visitante intruso,
Impõe medo como espada.

O seu nome é Curupira,
Da floresta, o guardião,
Defende com maestria
A sua preservação.
Contra agressão ele aplica
O peso da punição.

...(.).

Há quem jure tê-lo visto
Refletido numa fonte,
Outros dizem que ele mora
No cume de um grande monte,
De onde assobia aos pássaros
Que dançam no horizonte.

Seu assobio é segredo
Para sábio decifrar:
Um alerta à alma boa
E jeito de censurar,
Ou, quem sabe, impor respeito
Àquele santo lugar.

O certo é que ele castiga
Quem maltrata passarinho,
Pisoteia a flor-do-campo
Na trilha do mau caminho,
Mas quem ama a natureza
Tem seu respeito e carinho.

É bastante generoso
Para quem faz boa ação,
Respeitando fauna e flora
Na sua preservação,
Ou se lhe deixa um agrado
Em rogo, ou por gratidão.

Muitos deixam nas veredas
Cachaça, naco de fumo,
Flechas e penas de aves
Por agrado e, em resumo,
Para manter os sentidos
E, assim, não perder o rumo.

Pois ele altera cenário,
Desfaz pontes de madeira,
Faz sabotagem na bússola,
Muda o rumo da porteira.
Quem vai lá sem permissão
Se atordoa a vida inteira.

Certa vez, um engenheiro
Ao fazer desmatamento,
Para erguer com ferro e pedra
Mais um grande adensamento,
Viu seu projeto cessar
Sem cumprir o seu intento.

Já um audaz garimpeiro,
Com instinto extrativista,
Atacou rio e floresta,
Mas entrou na sua lista —
Desapareceu na mata
Sem deixar nenhuma pista.

Depois, foi visto vagando
Sem saber aonde ia,
Com o olhar meio perdido
E de memória vazia.
Só lembrou de um assobio —
Mas do resto não sabia.

Quem for adentrar a mata
Deve ter no coração,
Além de respeito e luz,
Infinita gratidão,
Se for movido à ganância
Sofrerá decepção.

Curupira não é bruxo,
Mas conhece encantamento.
Seu saber vem da floresta
E do sagrado elemento,
Só basta um sopro e ele faz
Sossego virar tormento.

Não se rende à vilania
E nem se dobra ao dinheiro,
Diante dos agrotóxicos
Se transforma em embusteiro,
Faz surgir mil armadilhas,
Afugenta o forasteiro.

…(.).

Segue…

Contato com o autor
WhatsApp: 11 99135-1919
Instagram: @poetapedromonteiro
Blogue: pedromonteirocordel.com
Email: pedromonteirocordel@gmail.com

sábado, 26 de abril de 2025

FLOR AMARELA










Brilho da flor amarela,
num cenário multicor,
a paisagem na janela
sugere versos de amor.

                         PedrO M.

FLOR BRANCA










Aprazível boniteza
em resiliência franca,
infinda delicadeza
contida numa flor branca.

                             PedrO M.


FLORES NA JANELA












Na beleza sem parelha
de uma flor sob a janela,
no rubro da cor vermelha
meu coração se revela.

                            PedrO M.

domingo, 20 de abril de 2025

PÁSCOA RENOVADORA

  

Jesus venceu a morte no madeiro, 

Mesmo calado o sofrer não foi em vão; 

Ressurgiu como o sol na imensidão,
A brilhar sobre o mundo por inteiro.


Com Ele, a dor é leve travesseiro,
E a cruz, caminho firme de perdão.
É vida que se faz em comunhão, 

Pão vivo, milagre caminheiro.


Com a Páscoa, a luzir nossa jornada,
A fé se acende, plena e renovada, 

No olhar dos que creem no santo altar.


Por isso, abrace a vida com ternura,
Em Jesus a nutrir fiel postura
De que a vida há de vencer, sem recuar!


                                            Pedro Monteiro


ARTE E CULTURA

A SAGA DE BIRO - da rua ao trono

  Entre versos, contos e lendas, também existe espaço para a doçura cotidiana. Hoje, quem toma conta da cena é Biro — meu gato mimoso, dono ...